A partir
do séc. XX, verificou-se um grande desenvolvimento da economia, tecnologia e
área social. Um mundo onde o fluxo de informações é intenso, em constante
mudança, e “onde o conhecimento é um recurso flexível, fluído, sempre em
expansão e em mudança” (Hargreaves, 2003:33).
Assim, devido
ao facto de se reconhecer que o mundo se encontra cada vez mais marcado pela
complexidade, pelo caos e sob os efeitos da globalização, torna-se urgente a necessidade
de organizá-lo, e este último, será realizado por sistemas. Segundo Rosney
sistema é “um conjunto de elementos em interação dinâmica, organizados em
função de um fim”.
Na educação,
os Sistemas Educativos têm se revelado os grandes impulsionadores de
desenvolvimento humano. No entender de Ramos (2007), o sistema educativo deve
organizar-se de modo a poder educar os cidadãos, de acordo com as suas
caraterísticas socioeconómicas e culturais, concedendo-lhes um ensino universal
e proporcionando-lhes, ao mesmo tempo, a igualdade de oportunidades, preparando
os cidadãos para a constante mutação na inovação/evolução, do progresso
tecnológico, fruto da globalização. As tecnologias digitais e a Internet
despoletaram um novo paradigma social, enunciado por diversos autores, como
sociedade da informação ou sociedade em rede alicerçada no poder da informação
(Castells,2003), sociedade do conhecimento (Hargreaves,2003) ou sociedade da
aprendizagem (Pozo,2004).
Um dos
primeiros autores a referir o conceito de Sociedade da Informação (SI) foi o
economista Fritz Machlup, no seu livro publicado em 1962, The Production and Distribution of Knowledge in the United States.
Contudo, o desenvolvimento do conceito deve-se a Peter Drucker que, em 1966, no
bestseller The age of Discontinuity, fala
pela primeira vez numa sociedade pós industrial em que o poder da economia-
que, segundo o autor, teria evoluído da agricultura para a indústria e desta
para os serviços- estava agora assente num novo bem precioso: a informação.
A ideia que se encontra subjacente ao conceito
de Sistema de Informação é, claramente, o de uma sociedade que se encontra
mergulhada num processo de constante mudança, fruto dos avanços tecnológicos e
científicos. Através da disseminação da leitura e da escrita, a imprensa
revolucionou a forma como as pessoas aprendem. O aparecimento das tecnologias
da informação e comunicação tornou possível novas formas de acesso e
distribuição do conhecimento. Estamos perante uma era onde não existem
barreiras de tempo e de espaço para as pessoas se comunicarem.
Segundo
Manuel Catells (1999) a revolução tecnológica originou o informacionalismo,
tornando-se, este último, na base desta sociedade renovada, onde os valores da
liberdade individual e da comunicação aberta se assumem como supremos. Na linha
de pensamento do autor, no informacionalismo, as novas tecnologias assumem um
papel fundamental em todos os segmentos sociais, levando a um melhor entendimento
da estrutura social atual- sociedade em rede - e, por conseguinte, de uma nova
economia, perante a qual a tecnologia da informação se apresenta como
ferramenta essencial na manipulação da informação e construção do conhecimento
pelos indivíduos, pois “a geração, processamento e transmissão de informação
torna-se a principal fonte de produtividade e de poder” (Castells,1999:21).
Tomando
como referência este contexto, o autor Manuel Castells (2002), destaca como
principais caraterísticas deste novo paradigma, as seguintes: 1) a informação é a sua matéria prima
(existe uma relação entre a informação e a tecnologia, ou seja, uma complementa
a outra); 2) capacidade de penetração
dos efeitos das novas tecnologias (remete-nos para o poder que os meios
tecnológicos exercem na vida social, política e económica de uma determinada sociedade);
3) lógica de redes (facilita a
interacção entre os cidadãos, podendo ser utilizada em todos os tipos de
organizações e processos, graças ao aparecimento das novas tecnologias da
informação); 4) flexibilidade
(refere-se ao poder de reconfigurar, alterar e reorganizar as informações); 5) convergência de tecnologias específicas
para um sistema altamente integrado ( a existência de um processo contínuo
de convergência entre os diferentes campos tecnológicos, resulta numa lógica
comum de produção da informação, onde todas as pessoas que os utilizam podem
contribuir e, por sua vez, exercer um papel ativo na produção desse
conhecimento). Todas estas características, acima referidas, encontram-se
estritamente ligadas ao processo de democratização do saber, nascendo, então,
novos espaços para busca e partilha de informações.
Perante
tudo isto, podemos levantar a seguinte questão: Qual a finalidade dos sistemas educacionais em pleno séc.XXI?
Ramos
(2007) refere que: “os sistemas educativos terão de ser flexíveis, ter
capacidade de adaptação à mudança constante, sendo proativos e capazes de
utilizar, na sua máxima extensão, todas as possibilidades conferidas, pelas
tecnologias da informação e da comunicação”.
Segundo a
Lei nº46/86 de Bases do Sistema Educativo Português (LBSEP) o sistema educativo
responde às necessidades resultantes da realidade social, contribuindo para o
desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos,
incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários,
valorizando a dimensão do trabalho.
A verdadeira
essência dos sistemas educacionais encontra-se em garantir a primazia na
construção do conhecimento, nesta sociedade marcada por um fluxo de informação
abundante. Neste contexto, o papel do professor modifica-se abrindo caminho
para um novo tipo de aprendizagem. Se antigamente o papel do professor era o de
transmissor de conhecimento, agora é o de mediador da aprendizagem. Esta
aprendizagem salta os muros da escola, pois não acontece necessariamente nas
instituições escolares, podendo realizar-se nos mais variados contextos
informais pelo meio de conexões na rede global.
Assim, sendo
os sistemas educativos os grandes impulsionadores do desenvolvimento humano,
apresenta-se como necessário um repensar em relação aos modelos educativos,
para que os alunos sejam capazes de pensar, refletir de uma forma autónoma, no
sentido da construção de um pensamento próprio e, é nesta medida, que o recurso
à tecnologia se torna num elemento determinante face à criação de novos modelos
educativos. Como afirma Takahashi (2000:7), “A dinâmica da sociedade da
informação requer educação continuada ao longo da vida, que permita ao
indivíduo não apenas acompanhar as mudanças tecnológicas, mas sobretudo
inovar”.
Perante
este novo cenário, a integração curricular das TIC pode contribuir para que
sejam utilizados nos espaços formais de educação, estratégias pedagógicas
significativas tanto para o aluno como para a comunidade escolar. Isto, implica
que se aposte na formação pedagógica e tecnológica dos docentes.
A meu ver,
por vezes, é extremamente complicado mudar ideias/pensamentos, a mudança nunca
foi fácil numa sociedade. Hoje em dia, continuamos a encontrar professores com
ideias ou atitudes diversas em relação à utilização das novas tecnologias. Uns olham
para elas de uma forma renitente, outros utilizam-nas no seu dia a dia,
contudo, não sabem enquadrá-las ao nível profissional. Por fim, encontramos
alguns professores que se aventuram no campo das novas tecnologias, transformando
assim, a sua forma de ensinar.
Segundo
Morin (1995) “As tecnologias de comunicação não mudam necessariamente a relação
pedagógica. As tecnologias tanto servem para reforçar uma visão conservadora,
individualista como uma visão progressista. A pessoa autoritária utilizará o
computador para reforçar ainda mais o seu controle sobre os outros. Por outro
lado, uma mente aberta, interativa, participativa encontrará nas tecnologias
ferramentas maravilhosas de ampliar a interação”.
O problema
do recurso às TIC, na minha modesta opinião, reside na confusão que existe
entre a facilidade de acesso à informação e na seleção dessa informação em
conhecimento. Como afirma Carneiro “(…) nenhuma geração humana anterior
experimentou com tanta intensidade a consciência da ignorância”. Para que se possa considerar a sociedade de
informação como uma sociedade do conhecimento torna-se, fundamental, que se
estabeleçam critérios de organização e seleção de informação, de forma às
pessoas não serem influenciadas ou moldadas pelos constantes bombardeamentos de
fluxos informativos disponíveis. A grande batalha que agora se trava, é no
sentido da existência de dois grandes aliados no desenvolvimento do
conhecimento e no reforço das aprendizagens, por um lado, a tecnologia e, por outro,
a metodologia.
É nesta
medida, que a escola terá obrigatoriamente que se preparar para responder às
novas situações geradas pelas evoluções tecnológicas. Uma vez que estas colocam
grandes desafios ao sistema educativo e a todos os intervenientes no processo.
Perante
tudo o que foi explanado, podemos afirmar que não se pode pensar a educação
desligando-a das evoluções sociais que lhe estão subjacentes. A educação é
produto da história de uma sociedade, apresentando-se ao mesmo tempo, como um
factor essencial para o seu futuro. Vivemos numa sociedade rica em informação e
impulsionadora de conhecimento. Os métodos de ensino/aprendizagem necessitam de
uma renovação, nascendo então, uma nova forma de aprender, onde as novas
tecnologias e a educação se complementam!
Bibliografia:
Castells,
Manuel. (1999). A Era da Informação:
economia, sociedade e cultura, vol. 3. São Paulo: Paz e terra.
Castells,
Manuel. (2002). A Era da Informação:
economia, sociedade e cultura, vol.1. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Delors,J., Al-Mufti, I., Amagi, I.,
Carneiro, R., Chung, F., Geremek, B., w tal (1998)- Educação Um Tesouro a
Descobrir- Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação
para o século XXI. Porto: Edições ASA.
Hargreaves,
Andy. (2003). O Ensino na Sociedade do
Conhecimento: a educação na era da insegurança. Colecção Currículo,
Políticas e Práticas. Porto: Porto Editora.
Pozo, Juan
Ignacio. (2004). A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter
informação em conhecimento. In: Revista
Pátio. Ano VII – nº31 – Educação ao Longo da Vida.
Ramos, C.
(2007). Sobre o conceito de sistema e
Aspetos contextuais dos Sistemas Educativos.
Takahashi,
Tadao (Org) (20009. Sociedade da
Informação no Brasil: Livro Verde. Brasília: Minestério da Ciência e Tecnologia.
Disponível em: http://www.instinformatica.pt/servicos/informacao-e-documentacao/biblioteca-digital/gestao-e-organizacao/BRASIL_livroverdeSI.pdf.
Acedido em: 24/10/2014
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