domingo, 30 de novembro de 2014

OS SISTEMAS DE BLENDED LEARNING ENQUANTO DISPOSITIVOS PEDAGÓGICOS

A inovação e o pensamento divergente na educação

A inovação e o pensamento divergente os dois conceitos fundamentais nas mudanças educativas dos nossos dias. Será importante desenvolver no ser humano a criatividade ou desenvolver o pensamento crítico para chegarmos à criatividade? Pensamento divergente e criatividade complementam-se, a criatividade é um processo de se ter ideias originais, mas só com um pensamento divergente é que o ser humano consegue ver as possíveis respostas às questões, ou seja, pensar as possibilidades de... Só com este tipo de pensamento é que se pode ter um posicionamento crítico sobre as coisas e o mundo que nos rodeia! O modelo de educação tem de olhar para a verdadeira essência do ser humano com todas as suas capacidades. A educação deve ter sempre como máxima primordial a vertente humana e só depois o conhecimento. Pois, se a educação descurar a parte humana não existe efetivamente conhecimento. O conhecimento só existe quando se pensa e se reflecte sobre o mesmo. Neste sentido, a educação deve levar o ser humano a mergulhar na imensidão do mundo para que possa compreender as coisas que o rodeiam. Cada ser humano é um ser único e irrepetível!
O grande desafio imposto à educação no momento atual, encontra-se justamente, na compreensão profunda da mudança no universo do conhecimento que potencializado pela revolução tecnológica tem alterado significativamente a forma de ensinar e aprender.
Historicamente, desenvolveram-se de forma separada dois ambientes de aprendizagem: a tradicional (sala de aula presencial) e o moderno (ambiente virtual de aprendizagem), que ao longo do tempo, mutuamente se completam.

Convergência entre educação virtual e presencial

A convergência entre a educação virtual e presencial remete-nos para o conceito de Blended learning ou b-learning. Mas afinal, o que é o Blended learning? Grahm (2005:5) apresenta a seguinte definição: “O Blended learning combina a formação cara a cara com a formação mediada por computador”. Esta abordagem de ensino combina, então, o sistema presencial e a distancia, em que o professor se reúne com os alunos (em sala de aula ou através de meios tecnológicos), onde é disponibilizado a estes últimos, um conjunto de recursos materiais e atividades para o seu processo de ensino/aprendizagem. Na orientação de um processo de ensino/aprendizagem através desta modalidade, pretende-se retirar o que melhor existe na formação presencial e na formação a distância. A comunicação e a interação com os conteúdos abordados entre os intervenientes (professor/aluno) são valorizadas com os diversos meios tecnológicos disponíveis, tais como: o computador, a internet, produtos multimédia, aplicações Web, entre outros.
Como refere Grahm (2005), o b-learning tem sido utilizado com maior frequência em ambientes académicos, e como consequência deste crescendo, surgem tecnologias para se poder implementar sistemas de aprendizagem a distância, que segundo McGreal citado por Gonçalves e Rodrigues (2006), podem ser agrupadas em tecnologias da comunicação (síncrona e assíncrona), tecnologias Web (distribuição dos conteúdos) e implementação de ambientes colaborativos e ferramentas de autor (criação de aplicações multimédia). De acordo com os interesses dos alunos e da finalidade das instituições têm surgido vários cenários de aplicação.

Vantagens no uso das ferramentas tecnológicas na educação
Se na educação presencial pode-se utilizar diversos tipos de linguagem, na modalidade virtual todas podem ser utilizadas em simultâneo, proporcionando ao processo de ensino/aprendizagem um potencial enorme de comunicação e integração espaço/tempo.
A utilização das várias ferramentas tecnológicas permitem:
Ø  Fornecer documentação multimédia (texto, imagens, vídeos) para auxiliar no estudo das disciplinas.
Ø  Produzir material de apoio à aprendizagem como por exemplo: glossários, bases de dados (incluindo ou não imagens).
Ø  Motivar a interação entre os próprios alunos, através das hiperligações, disponibilização de páginas pessoais, sessões de conversação síncrona ou assíncrona.
Ø  Proporcionar informação de forma alargada e rigorosa aos alunos sobre o seu próprio progresso através de um livro de notas on-line.
O aluno tem mais liberdade de desenvolver os seus estudos (flexibilidade de horários e locais considerados presenciais), é mantida a interatividade com os professores e alunos, fortalecendo uma aprendizagem colaborativa. Num ambiente colaborativo a aprendizagem centra-se no papel ativo dos participantes, num processo de reflexão-ação, na interatividade e colaboração feita entre os envolvidos de modo a desenvolver uma aprendizagem significativa.
Assim, num modelo educacional onde a tecnologia está associada, o aluno é visto como principal sujeito e o professor como um mediador no processo de construção do conhecimento (ensino/aprendizagem). Através da operacionalização de sistemas Blended learning, a educação torna-se mais aberta, mais flexível e inclusiva.

Bibliografia

Gomes, M. (2006). E-learning e Educação on-line: contributos para princípios de Bolonha. Actas do VII colóquio sobre Questões Curriculares (III colóquio Luso-Brasileiro), CIEd.Braga.Gonçalves.
Graham, C. (2005). Introduction to Blended Learning. Blended Learning Systems – Definition, Current Trends, and Future Directions. The Handbook of Blended Learning.Chapter One.

Martins, V. (2006). B-Learning: Um caso de aprendizagem colaborativa usando a Fle3. Universidade do Minho, Braga (Tese de Mestrado).

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